BATE-PAPO COM MÚSICO E COMPOSITOR PEDRO GAMA
21/08/2020 07:18 em Música

BATE - PAPO COM MÚSICO E COMPOSITOR PEDRO GAMA


1.Em que momento você percebeu que a música faria parte da sua vida?

 

Acho que a música meio que sempre esteve aqui,não lembro quando não esteve.(risos)
Tive um ambiente musical quando pequeno, apesar de ninguém fazer música profissionalmente. Minha vó sempre cantou e incentivou o gosto pela música, minha mãe tinha o costume de ouvir muito rádio alto em casa ou no carro, meu tio passou anos tocando na bateria da Portela, sempre compôs também.
Comecei tocando saxofone na banda marcial do Colégio Militar. Logo depois veio o violão, aquele que tem em algumas casas e ta  tava parado há anos em algum cômodo da casa peguei para aprender e por aí foi… sempre gostei de criar melodias, harmonias e ritmos, ainda que simples. Mas foi em 2014, quando eu e mais 7 pessoas maravilhas criamos uma banda chamada Ayelujara. Foi muito enriquecedor tocar, criar, estar no palco com artistas incríveis e me tiraram as dúvidas que eu tinha sobre se aquilo era o que eu faria pelo tempo que eu estiver habitando esta terra.

 

2.Quais são suas maiores referências musicais?

 

Minhas influências são bem variadas. Vão desde hiatus kaiyote até Reginaldo Rossi (risos); mas tem nomes que estão sempre na minha playlist como Sérgio Sampaio, Luiz Melodia, Jards Macalé entre outros ditos malditos da mpb.

Dos artistas mais jovens eu tenho escutado muito são Josyara, Baianasystem, Kamasi Washington, Curumim, Anderson. Paak, Xênia França.

Ainda tem os colegas próximos que não deixam de ser uma influência, como Pedro Guinu, Lienne, Leo Middea,Victor Mus, Zé Bigode Orquestra, Luciane Dom

 

3. Você é Formado em Ciências Sociais que é um ramo que estuda a vida social do indivíduo, a sua formação tem grande influência no seu processo de composição?

 

Com certeza. 
Ainda que eu não fale diretamente de temas tratados pelas Ciências Sociais nas músicas, as referências sempre estão lá.  As vezes vem de um texto ou artigo que li, alguma discussão em sala de aula ou em um bar com colegas, gosto de passear e misturar algumas perspectivas entre disciplinas como Sociologia, Antropologia, Filosofia e por aí vai.
Mas sem dúvidas o que mais me gera assunto nas músicas são os encontros e situações que a profissão de Cientista Social me proporciona. Quando eu trabalho na área, em alguma pesquisa sobre determinado grupo, normalmente volto com alguma canção ou, na pior das hipóteses, uma boa história.

 

4. Em 2016 você lançou seu primeiro trabalho solo intitulado como "Condôminos", fale um pouco sobre esse trabalho e o que te motivou a escolher esse nome?

 

Esse nome veio, a princípio, por conta de uma música do EP, a “Retratos de um Condômino da Boemia”. O conceito do EP está pautado na boemia e os personagens imersos nela, quase como se a boemia fosse um condomínio e os boêmios seus Condôminos.
Na época que eu estava fazendo o EP, minha companheira, também socióloga, estava estudando condomínios; achei uma coincidência interessante.

5.Pipa Avuada é sua nova música de trabalho. O que te inspirou a escrever essa canção?

 

Essa música fala de três coisas bem específicas, para mim: memória afetiva, representação e crescimento. Eu quis apresentar símbolos que, na minha infância, foram importantes, e que de certa forma me moldaram como um adulto, podendo olhar pra trás com carinho,  como o “fliper” na padaria, o tio que ficava sentado tomando uma(hoje esse tio sou eu rs), a mãe de algum amiguinho ou amiguinha que vendia sacolé na porta de casa, e claro, a pipa que “avuava” do nada e a molecada saia correndo igual uns loucos pra ver quem pegava, só pela diversão. Já no que faz referência ao crescimento, o título de Pipa Avuada, toma outra conotação. Como adulto, é como ser meio deslocado, meio doido, meio artista (rs) , meio qualquer coisa .Nos versos finais da música, gravamos sem Click, fora do 128bpm da música, para tentar representar essa sensação, uma coisa meio de um palhaço niilista. Hoje o “moleque, sai da rua” , ironicamente, é a melhor mensagem que podemos passar rsrs

 

 

6. Como foi o processo de criação do videoclipe do seu novo single "Pipa Avuada"?


Eu cresci entre Marechal Hermes e Sulacap, o Zé (um dos diretores do clipe) mora na casa em que nasceu em Vila isabel até hoje, ambos bairros da Zona Norte daqui do Rio.  Tanto ele quanto eu queríamos passar não só o sentimento de infância, mas o prazer de estar na rua, ocupando as pracinhas, os brinquedos e o que mais a gente conseguisse representar de nossa infância com signos que consideramos marcantes dentro do subúrbio carioca. Andamos por várias praças e acabamos escolhendo o morro da conceição, no centro do rio, que na nossa cabeça sintetizou tudo o que queríamos ( e ainda tinha um visual incrível rs). Contamos também com um dos meninos do projeto social Passinho Carioca, o Ruan Murilo, que é uma criança com muito talento e carisma, um artista. Contamos também com a ajuda do produtor deles, Thiago de Paula. Eles foram cruciais para identidade do clipe.

 

 

7. O que você tem feito durante o isolamento social e quais são seus planos para quando a pandemia do Covid 19 passar?


Passei por altos e baixos, como muitos.
Estamos vivendo uma coisa muito louca, muito diferente, e ninguém sabe o que vai acontecer com suas carreiras, com nossa cidade, nossa vida.
Por outro lado acho que essa dúvida toda fez com que alguns processos fossem acelerados, e eu não me refiro ao tempo das coisas, mas a forma com que fazemos tudo. Por exemplo:
Pipa Avuada era pra ter saido há um tempo,antes de isso tudo acontecer, mas não deu. Em compensação quando ela saiu houve uma conexão bacana com as pessoas; não dá para dizer se isso tem relação direta,mas certamente influenciou.
Eu também comecei a produzir em casa, coisa que nao fazia antes. O processo está sendo ótimo e dá aquele gostinho bom de aprender coisas novas.

 

OUÇA "PIPA AVUADA" AQUI NA RÁDIO GIRO MPB

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